Duas estações


Em Belém as pessoas dizem que a cidade tem só duas estações no ano: uma em que chove todos os dias. Outra em que chove o dia todo! Estive lá na segunda.

Quando cheguei fiquei realmente impressionada com o que vi do avião. O nível da água nos rios, que invadiu os “piers” e invade as casas ribeirinhas!!

As pessoas são ótimas e rever a cidade é sempre uma alegria.

Trabalhar muito não me assusta, é um prazer! Mas aproveitar as boas coisas das cidades aonde estou é melhor ainda!

Depois de acertar minhas atividades, e de uma noite mal dormida de preocupação com a responsabilidade pelo meu trabalho - motivar as pessoas a novos pensamentos é mais ou menos como roubar-lhes a ingenuidade e me faz muito responsável por isso - fui almoçar com a Rosa Neves, que acabou se tornando amiga além do trabalho. Ela é divertida.

Convidou-me para conhecer o “Mangal das garças”. Um parque sensacional! Turístico, com enorme jardim, borboletário, viveiros, loja de artesanato e um restaurante cinco estrelas.

O local está em restauração da flora e da fauna. As pontes de madeira levam ao rio, num píer enorme e incrível. Lá está o Museu da navegação com toda a história e reprodução das embarcações amazônicas. Acima dele o restaurante. Música ao vivo, ambiente interessante todo envidraçado - até em parte do piso, integrando a área interna com o meio ambiente.

Sabe como eu sou... como de tudo... Desde que não saiba o que estou comendo!!

Um conselho: se lhe oferecerem “Arroz de Muçuã”, coma! E nem se atreva a perguntar o que é!

Realmente é uma iguaria: aroma sensacional, aspecto e sabor estupendos. Ao me servir notei alguma verdura em tiras bem finas, e pensei vou gostar. Como maniçoba é da culinária paraense ("feijoada" com folhas de mandioca brava cozida – no lugar do feijão – cozidas por vários dias e por fim acrescida de carnes secas, e que eu adoro) pensei, deve ser algo assim. E amei! Cada garfada um delírio! Inesquecível!

Saboreava o último bocado, considerando até abandonar parte das outras experiências gastronômicas que esperava ter, como vatapá (que em nada se parece com o baiano); filhote com temperos paraenses, o palmito assado ou mesmo o camarão com tucupi, em nome da delícia que eu comia... quando, a Rosa me disse alegremente, que é muito difícil encontrar este prato uma vez que é proibido! Hei, hei!!

Preferia não ter ouvido ela completando: é carne de tartaruga pequena!!

Tomei coragem, pensei no todo: o aroma, a aparência e o sabor incrível! E fui em frente! Engoli o que ainda mastigava tendo a certeza que esta seria a única vez que eu provaria Muçuã!

Como provei todos os tipos de sabores exóticos na mesma refeição. Sabores e temperos fortes, bastante diferentes do meu dia a dia, dá para imaginar que fiquei bebendo só água de coco nos três dias seguintes!!!


Belém, Pará, junho de 2009

1 comentários:

Karina disse...

Recebi de uma bióloga e divido com você:
Querida prima,
Adorei ler sobre us viagem a Belém. Conheço alguma coisa do Pará, mas nunca comi muçuã, porque realmente é proibido e é "parente" de outros quelônios que trabalho. Quando voltar ao Pará, conheça os rios Tapajós e Xingu. Vale a pena.
beijos
Maria de Fátima Gomes e Souza Soares

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