Calolziocorte


“Calolziocorte

'vizino' de Lecco

'doppo' Monza”

Quem poderia imaginar que depois de quase morrer de procurar hotel o dinamarquês amigo do Marco Nova, meu amigo milanês, ia conseguir um hotel pra mim a 48 km de Milão. E esta foi quase toda a indicação que ele me deu para eu chegar até lá.

(Fui informada quando fechava minhas malas em Paris para voltar ao Brasil, que deveria ir a Milão e ficar lá vinte dias. Justamente para participar do maior Salão de Móveis e design da Itália. Quando qualquer lavabo de um micro apartamento pode ser sublocado a peso de ouro, tamanha a falta de vagas para hospedagem.)

Os trens viajam lotados de gente que trabalha na cidade grande e mora no subúrbio. Peguei um trem mais direto, mas que saiu com meia hora de 'retardo'.

A paisagem é urbana, mas bonita. Cada pedaço de terra é aproveitado. Uma horta, um pomar, umas flores... O frio era inclemente apesar de ser abril. As árvores ainda estavam em sua maioria nuas, o que fazia o vento vir mais forte.

Calolziocorte está encravada entre duas montanhas, com casas grandes e tudo muito organizado.

Cheguei na estação de trem a meia noite, e só tinha a indicação que deveria sair a 'destra' e no final da sua iniciar uma subida...

Como faço amigo fácil: perguntei ao controlador da estação sobre o endereço e dois minutos depois, ele puxava minha mala ladeira acima e contava de – um – amigo - que - vai - de – férias - todo – janeiro – ao - Brasil - e - que - lê- muitos- livros – sobre - o- Brasil – e – que – todas – vez – que – volta – de – lá – vem – com – uma – fita – igual – a – que – eu – tinha – na - mochila- (fita do Senhor do Bonfim, que na Europa custa entre 6,00 e 13,00€ cada), e – que – o – amigo – dele – diz – que – uma – vez – vai – para – sempre – morar – no - Brasil... ufa! entenderam: 'perdi' minhas fitinhas do Bonfim para o controlador do trem!

Mas ele mereceu, Emilio carregou minha mala ladeira acima e recomendou ótimo tratamento ao dono do Hotel.

A Locanda del Mel foi realmente uma boa surpresa, com apenas seis suites. Minha suíte com varanda chama-se Caravaggio! Tem banheira e toalhas aquecidas. O atendimento muito simpático, só que as cinco da manhã descobri que a lavanderia é acima do meu quarto... como eu só sei xingar em portugues...

Antes de me recolher na noite que cheguei, precisava comer algo, pois no “Il Salone” só havia bebido água. Andei um pouco ao redor do Hotel, tentando reconhecer o terreno. Perguntei se podiam me servir um jantar e a resposta foi que talvez algo não muito bom... Eu não tinha outra opção. Pedi um antipasto e um “vino rosso”. Trouxeram presunto cozido (e não pasta de presunto) com pão e biscuit. Delicioso! Pedi uma lasanha, que quando vi a embalagem industrializada que a atendente tirou do frezzer estremeci. Mas enfim... Quando ele me serviu uma lasanha de aspargos, numa travessa maravilhosa, fumegante e aromática, mudei de opinião.

...

O dono da Locanda me disse que tinha um amigo industrial que gostava muito do Brasil.

Eu caminhava na rua no dia seguinte logo cedo quando ouvi chamar meu nome. Achei pouco provável, mas mesmo assim virei-me: era Angelo um homem de seus sessenta anos. Em poucos minutos conversávamos como velhos amigos.

Marcamos um café para a manhã seguinte. Uma fria manhã de domingo, de zero grau. Depois do café ele perguntou-me se eu tinha tempo para um passeio antes ir a Milão e fomos pela auto-estrada a Lecco. Uma paisagem deslumbrante com a montanha a nossa direita e o lago de Como a nossa esquerda. Apesar do frio tinha uma regata o que tornava a paisagem ainda mais bonita. Passeamos um pouco pela cidade e conheci uma casa onde a família Gomes (Carlos Gomes) propiciou o estudo de muitos músicos. Ainda é um conservatório musical.

A noite fui a casa do Angelo, que é grande, cheia de personalidade. Uma chácara. Silenciosa e florida, emoldurada por uma paisagem de montanha - para eu conhecer sua mulher Maria Tereza, que cozinha divinamente. O que me fascina na vida européia - fora dos grandes centros - é a própria forma de viver.

Entre outras curiosidades eles plantam em seu quintal quatorze tipos diferentes de maça, e conservam seus estoques de legumes e verduras numa cave abaixo da plantação.

Ah! Não se pode ter tudo: o Angelo torce para o Juventus!


Itália, abril de 2005

1 comentários:

anastrobel disse...

Querida !

Maravilha ! Calolziocorte! deu vontade de andar no trem.
Posso te mandar várias fitinhas do senhor do bonfim na próxima xz que fores á Itália. Andiamo.
Beijos !

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