Tesouro Alemão
Casacos de inverno são deliciosos; mais parecem um generoso abraço. Tenho uma coleção deles: vintage; modernos; curtos; sete oitavos; longos; coloridos; largos ou mais acinturados... Mesmo assim não resisto quando alguém sugere que tem um casaco que se parece demais comigo!!
Dias desses, na casa da Vicky minha prima, em Rastatt na Alemanha, ela anunciou que tinha três casacos para mim. Isso mesmo, três casacos que são a minha cara... E lá fomos nós animadas em buscas dos tesouros guardados no alto do armário, para eu experimentar.
Um preto, mais social que ficou um luxo.
Um bege que tem uns recortes lindos e ficou ótimo em mim.
Por fim experimentei um verde garrafa com um detalhe feito em tear atrás, muito interessante. Mais esportivo, parecia próprio para a ocasião, já que pensávamos em sair para um passeio descompromissado. Vesti a primeira manga e quando dei aquele jogo por trás do corpo com o casaco para vestir a outra manga, ouvimos um tilintar. Sem muito interesse, pensamos ser o zíper largo ou um dos fechos metálicos. Virei-me para olhar-me no espelho e o tilintar aumentou.
Instantaneamente passei a sacudir o casaco que vestia e as gargalhadas resolvemos descobrir de onde vinha o barulho. Busquei numa ponta do casaco e a Vicky na outra. Ambas encontramos moedas presas no forro! E pasmem, mais de uma de cada lado. Primeira ideia: algum bolso furado. Viramos todos os bolsos do avesso; criteriosamente. Todos com a costura perfeita e original de fábrica. Algum outro lugar onde alguém, por brincadeira tivesse colocado tais moedas. Realizamos o mais minucioso controle de qualidade. Nem sinal de uma mínima abertura que fosse numa costura do casaco.
Curiosas, procuramos um lugar onde descosturar e assim resgatar as tais moedas. Primeiro conduzimos todas para o mesmo lado do casaco, o mais perto possível de onde pretendíamos fazer a abertura. Uma obra de engenharia, uma vez que o casaco era cheio de recortes e detalhes; um verdadeiro labirinto de costuras. Voltamos a gargalhar quando vimos que nosso pequeno tesouro era de moedas de todos os valores de Marco Alemão. Além de hoje ser sem valor, imaginamos ser alguma brincadeira, uma vez que o casaco foi comprado após a implantação do Euro.
Quem as guardou ali?!
sexta-feira, junho 24, 2011 | Marcadores: Alemanha, casaco, Euro, Marco alemão, Rastatt | 5 Comments
Cachoeira
Viajar de primeira classe ou de classe executiva é sempre uma alegria. Ainda mais quando se ganha e de forma tão inesperada.
Por um motivo qualquer a Varig fez confusão com a passagem da minha mãe e a minha, isso há uns anos atrás. Na hora do embarque para a Alemanha descobrimos que haviam trocado nosso destino ou algo assim. Reconhecido o fato pela companhia aérea, eu tratei de ficar calma. Tínhamos as passagens em mãos e agora o problema era deles. Claro que perto do horário do embarque o vôo estava lotado e desfazer a troca, tornava-se impossível. Eu naquela hora estava sentada em uma cadeira de rodas, por um problema que tinha no joelho e deixei que eles tratassem de dar a solução. Minha mãe vendo minha tranqüilidade, nem questionou.
A proposta foi nos enviar primeiro a Espanha e depois nos embarcar para a Alemanha, de lá, numa classe muito melhor que a que havíamos comprado. Pressa nós não tínhamos, além do que viajar com mais conforto, tratamento vip é sempre melhor.
Resolvido isso, aproveitamos. O bom da viagem começava na sala de espera exclusiva com bebidas, comidinhas e muito entretenimento.
Como sempre estas classes são as primeiras a embarcar e eu naquelas condições ainda tinha o status de prioridade...
Nem bem havíamos nos acomodado nas nossas largas e confortáveis poltronas, os simpáticos comissários já nos ofereciam champanhe em taças de cristal e não água em copos americanos de plástico; amêndoas e pistaches em pequenas louças de porcelana. Os poucos lugares foram ocupados rapidamente e os muitos passageiros da classe turística demoraram a embarcar, se acomodar; acomodar a montanha de bagagem que carregavam nos compartimentos acima das suas cabeças, a ponto que tivemos tempo de tomar uma segunda taça de champanhe antes das portas do avião ser fechadas e os serviços suspensos temporariamente.
(Um pequeno aparte aqui quanto às bagagens: meu sonho de consumo é viajar sempre só com minha pequena bolsa Chanel , o passaporte, o cartão de crédito, algum dinheiro em papel, o batom e o casaco dobrado sobre o braço. Só!)
Estávamos na terceira e última fila de poltronas. Tudo adequado, avisos todos dados, começava a viagem. O avião fez lá sua manobras, rodamos lenta e irritantemente pela área de trânsito das aeronaves até nos colocarmos naquela fila, que quanto mais perto da meia noite parece maior. Avançávamos um pouco cada vez que um avião decolava e eis que chega a nossa vez. O comandante posicionou o avião na pista, deu seus últimos avisos, acionou os motores. Nossos corpos com a velocidade colaram no encosto das poltronas e começamos a inclinar para subir.
Pensei: muito bom! Europa aqui vamos nós.
Com todo o barulho que há numa decolagem, conseguimos perceber um som atípico dentro do avião. E detalhe: ele vinha lá da frente em nossa direção e aumentava, acima das nossas cabeças. Era um som continuo de um rolar pesado, que não tardou a parar quando encontrou o final do curto bagageiro livre e sem divisórias, num som forte e de mais de um objeto se quebrando. Isto tudo muito rápido e naquele momento em que é impossível fazer qualquer coisa, devido à posição do avião.
Minha mãe e eu nos olhamos e nada. Poucos segundos e uma “farta cachoeira” começou a descer por todos os vãos do fundo do bagageiro, molhando a todos que estavam na última fileira de poltronas. Rimos de pensar em passar as próximas horas molhados, e sabíamos que o que quer que fosse, pararia logo de escorrer. Então sentimos o cheiro do líquido: Cachaça!! Algumas garrafas que o desavisado alemão sentado lá na frente pretendia levar de presente! Soubemos assim que ele pode desafivelar o cinto e vir morrer de pedir desculpas.
A noite continuou com muito champanhe na taça, boa comida e cheiro de cachaça na roupa!
sábado, novembro 20, 2010 | Marcadores: Alemanha, cachaça, cachoeira, classe exectiva, Espanha, primeira classe, Varig | 4 Comments
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