Aromas e sabores
Raiz da flor de Lotus!! Deliciosa! A raiz de lotus que conheço na culinária japonesa - quer seja para chá ou salada - é longa e com furos redondos dentro. Três ou quatro dessas são do tamanho de uma maça. A aparência lembra uma pimenta verde pouco ardida usada em ensopados. Estão a venda em qualquer mercado de rua, aos montes. A Gabi não é dada a aventuras gatronomicas, até que perguntei ao nosso motorista do que se tratava. Ele encheu minhas mãos com elas! A casca verde tem a textura de um pimentão e embora eu a tenha provado, o melhor é descascada. Dentro uma castanha muito branca e que mais lembra a consistência do coco, entre o verde e o maduro. Encontrei as maduras, que são vendidas assadas - junto com todo tipo de batata, com a casca artisticamente recortada.
Os aromas das especiarias; das pimentas; das romãs, vermelhas como rubis. A delicadeza de cada refeição dispostas em pequenas porções atraentes, servidas acompanhadas de pão tipo árabe - sim, come-se com as mãos e os pães servem para isso, ou ainda das sementes de aniz envoltas em açucar verde e pequenos fragmentos de folha de prata, servidos após as refeições para refrescar o paladar - são marcas permanentes na memória, dos mercados de rua ou dos restaurantes. E dão a certeza de querer voltar.
terça-feira, novembro 17, 2009 | Marcadores: Aromas, India, Karina Achoa, Raiz de lotus, Sabores | 0 Comments
Elefante na pista
Imagine estar na 23 de maio as seis da tarde e encontrar alguém montado num elefante que ele usa como seu veículo de transporte! Aconteceu aqui em Nova Delhi. É quase uma exceção! Mas acontece!
O mesmo se passa de inesperado quando visitando o Museu do Gandhi - a casa de um amigo onde ele viu muito tempo, inclusive os últimos dias de sua vida, e tendo chegado muito cedo, tive tempo de caminhar descalça pela grama por onde ele caminhava várias vezes por dia. De ter alguns momentos de meditação. De entender lendo parte dos murais, porque minha avó tinha tanta adimiração pela filha dele a Indira.
Então, já dentro do Museu, www.gandhimuseum.org descobrir toda a tecnologia a disposição das imagens, da voz e da história desse homem. Incrível realidade.
Valorozo encontrar centenas e centenas de crianças e jovens visitando.
Nova Delhi, India
sexta-feira, novembro 13, 2009 | Marcadores: elefante, Gandhi, India, Karina Achoa, Nova Delhi | 0 Comments
Mercadores
As lojas de tecido na India tem uma larga cama baixa com um forro imaculadamente branco. Ao lado um banco longo, mais alto que a cama e sempre forrado de um tecido maravilhoso. O vendedor convida você a sentar-se virada para a cama. Mais um ou dois outros vendedores, oferecem chá, café, fresch lemon soda ou massala com leite (tchai), e é bom você acietar algo para beber, senão eles não param de oferecer. O vendedor tira os sapatos, ajoelha-se nessa "cama" e com a ajuda de outro vendedor começa a abrir um-a-um dos itens que estão nas prateleiras atrás dele. Paciente e detalhadamente ele apresenta seu produto, explicando o método de produção, a origem da matéria prima, a região onde é produzida, enfim todas as qualidades! Pode "se matar" de perguntar o preço! Ele vai oferecer mais bebida - e de novo é bom você aceitar.
Ele vai mostrar outro produto de qualidade inferior ou superior. Pergunte outra vez o preço e ele vai lhe mostrar algo especial, guardado em outro lugar que ele pede em segredo para alguém trazer! Então, quando ele estiver absolutamente convencido que você está fascinado por algo, ele dirá finalmente o preço! E você vai comprar, afinal são milênios de experiência na profissão.
A foto é de uma região em Agra onde vivem imigrantes ilegais de Bangadech. Eles vivem em acampamentos improvisados e vivem de consertar tecidos, lavar e fixar as cores... em plena rua, num lugar onde não tem água.
Agra, India
quarta-feira, novembro 11, 2009 | Marcadores: India, Karina Achoa, Mercador, tecidos, vendedor | 0 Comments
Nova Delhi
Nem sem parece com a India, em diferentes aspectos.
Quando aqui cheguei havia passado rapidamente por Delhi, ou Old Delhi. A cara da India. Voltei para cá de trem e viemos direto a uma área muito diferente de tudo que vi até agora neste país. Ruas limpas, vestimentas um pouco mais ocidentalizadas - o que é triste - rua e avenidas largas, residências imponentes. Embaixadas "exuberantes"! Menos tráfego de veículos, nada de animais e poucos "tuc-tucs"...
Algumas poucas áreas por aqui apresentam o ar desleixado que parece imerso outras cidades do país.
Agora os Tesouros continuam em cada canto: a preciosidade da comida, guardada em pequenas porções e muito sabor. As antiguidades, as diferentes culturas que por aqui dominam e dominaram.
E de repente bem no centro da cidade restos da ruína de um dos castelos, de um templo. Cercado para preservar, cercado por prédios atuais, a cidade que cresceu ao redor dele.
Pequenos antiquarios onde a dona, por exemplo sabe contar a história de cada objeto ali encontrado, sua época, sua origem. Quer seja uma caixa Mugal ou um cartaz lambe-lambe de cinema.
Nova Delhi, India
terça-feira, novembro 10, 2009 | Marcadores: Delhi, India, Karina Achoa, Nova Delhi | 2 Comments
Gorjeta
Um almoço para duas pessoas, num bom restaurante com dois pratos quentes, pães especiais - bastante que sobre de tudo - alguma bebida, custa em media U$15,00. Claro a comida é vegetariana, nada de alcool (a única coisa que sinto um pouquinho de falta é de um vinho tinto nas refeições). Daria bem para uma terceira pessoa dividir o almoço. A diferença é que o IVA (imposto) não está incluído, nem a gorjeta que o garçon vai logo avisando. Até aí... Você chega e vai ao banheiro do restaurante, tem alguém segurando o papel higiênico. No mínimo você deve dar 50 rupias. O cara que abre a porta do restaurante, espera outras 50. O que vai com você até o "tuc-tuc"... outras 50... Tem sempre um ou dois pedintes lastimáveis ao seu lado: + 50 rupias. E ai vão mais três ou quatro dolares. Acho que fui praguejada em indiano umas três ou quatro vezes em que fiz que não entendi.
No "tuc-tuc" o motorista diz que a corrida custa 100 rupias, mas espera que você dê 200. Diz que custa 300: espera que você dê 500. Na maioria dos monumentos, indiano paga 5 rupias para entrar; estrangeiro 100, 200 ou 300. E ainda separe mais algumas rupias para o banheiro, a água e o cara que tem a chave de alguma tumba pela qual você já pagou ingresso para ver!!
Os guias de turismo e os motoristas recebem das agências. Recebem comissão das lojas onde nos levam; dos restaurantes (como no mundo inteiro), e ainda assim esperam comissões entre 300 e 1.000 rupias.
Ainda assim venham! E troquem suas notas maiores de rupias por menores para as gorjetas.
Sem foto por que a internet continua caindo.
Agra, India
segunda-feira, novembro 09, 2009 | Marcadores: India, Karina Achoa, Tuc-tuc | 1 Comments
Fatehpur Sikri
Uma cidade construida durante onze anos, onde o Rei morou soh catorze anos por que lah nao tem agua e ele mandava buscar agua no rio Ganges ha duzentos quilometros. Em 1600!!!
Isso a caminho de Agra!
Para quem pretende como eu ser cremada quando o coracao parar de bater, gostar tanto de cemiterios e mausoleus eh quase um paradoxo! Conheco mundo afora centenas - senao milhares deles. Dos mais famosos aos mais simples.
Os diversos mausoleus das mulheres do Marajá espalhados pela cidade sao magnificos. O da mulher que era catolica, mais simples. O da mulher que ele mais gostou tem o Mausoleu central e os quatro outros ao redor para fazer a simetria. Sempre com muitos jardins, com cervos, esquilos, macacos. Milhares de cada um.
Seis da manha eh o melhor horario para ir visitar o Taj Mahal. O calor ainda permite e pode-se contemplar o sol nascer. Uma linda e longa caminhada ateh o portao principal. Pos atentados de Mumabai e onze de setembro: muita seguranca, nada nas bolsas e revista pessoal constrangedora!Mais caminhada longa, virei a esquerda sob outro imenso portal e...
Parei atonita: pensei que o jardim com as aguas na frente dele fosse maior! A medida que fomos caminhando em sua direcao me dei conta: O Taj eh que eh grande demais! Magnanimo! O jardim eh imenso, mas a sensacao de proporcao eh que fica alterada.
Nenhuma foto pode exeplificar isso.
Agra, India
domingo, novembro 08, 2009 | Marcadores: India, Karina Achoa, Taj Mahal | 0 Comments
Preciosidades
Sabidamente, a preciosidade de um povo ou de uma cultura jamais se mede em unidades monetarias de Palacios, Templos, Museus, Tesouros, Joias. A alegria, o respeito, a religiosidade e outros tantos valores sao o bem maior.
Cada dia esses valores se apresentam fortes aqui na India para mim, e descubro preciosidades inimaginaveis! Segredos sao revelados, como que se eu pertencesse a esse lugar. Como se as pessoas houvessem guardado algo especial para mostrar-me. Sou mais uma a passar por aqui e fascinar-me, mas esta atitude de me fazer sentir especial e unica eh generosa.
Sempre que viajo sinto-me importante por estar naquele lugar, qualquer que seja o motivo que me fez viajar ateh lah; qualquer que seja o lugar! E quando as pessoas demonstram isso, eh como se revenciasse este fato. As revencio tambem.
O respeito pelos animais, a culinaria vegetariana! A meditacao, a oracao, a medicina, a arte, o artesanato, a arquitetura. Tudo ricamente detalhado. Conectado um ao outro. Contraditorios algumas vezes.
Numa incursao ao Centro de Artesanato do Governo, reencontrei a pratica com a atencao citada acima. Depois de horas perguntando sobre tudo, e tendo aprendido sobre os mais diversos tipos de trabalhos - desde a producao da materia prima, ateh seu valor historico, social.
Nos mostraram numa pequena sala, fechada, um mini museu, onde obras com a data foto acima, estavam guardadas em vitrines fechadas. Como um segredo.
Laminas de osso de camelo, gravadas e esculpidas nas bordas. Tintas com pigmentos de ouro em poh; rubis, safiras e esmeraldas aplicados com uma tecnica antiga de "enlay". Pequena no tamanho, e grande na riqueza de detalhes.
Para observar tais detalhes uma lupa entalhada em madeira - peca unica, sem emendas - com mais de 150 anos!
Jaipur, India
quarta-feira, novembro 04, 2009 | Marcadores: enlay, India, Jaipur, Karina Achoa | 1 Comments
Graos
Mercado de rua eh algo fascinante para mim. E eu no centro dele! Cores, aromas e formas se mesclam e a todo instante, estou eu em busca de alguma informacao.
Como minha propria profissao de designer pede e minha ousadia manda, experimento quase tudo!!
Lamento que na India, o "quase tudo" tenha se transformado em quase nada! Vontade eu tenho, mas prudencia tambem!
Numa banca - que mais parece uma forma de pizza gigante - apoiada sobre um tripeh articulado, o mercador distribui maravilhosamente graos secos, como lentilhas, milhos, graos de bico, ervilhas, um grao que esta entre a lentilha (nao tao chata) e a soja (nao tao redonda), muito claro. Ao centro um fogareiro com uma pequena panela onde ele aquece os graos escolhidos, e tempera com ervas e pimenta!!
Entrega o pedido em cones de folhas de revista!!
Para quem quer - e eu aconselho, mesmo sendo uma grande consumidora de pimentas - ele serve junto uma "folha" de uma massa branca que minimiza instantaneamente o ardor da boca.
Jaipur, India
terça-feira, novembro 03, 2009 | Marcadores: India, Jaipur, Karina Achoa, pimenta, viagens | 0 Comments
Marajah
O dia comecou cedo hoje. Para chegar ao Amber Fort passamos pela regiao mais pobre e depreciada da cidade. A vida em suas atividades produtivas de diversas areas, fortes e corajosas. Criancas de peh no chao. Um poco na rua, com bomba manual alimenta de agua essa gente. De repente a "paisagem" se transforma e as milhares de lojas aparecem no inicio da subida ao Fort. No jardim externo, a fila imensa - quase 30 graus jah as oito da manha - para subir de elefante!! Experiencia e tanto. Quem me disse que se parece com um cavalo grande... No cavalo posso passar uma perna de cada lado e tentar me garantir quando ele chacoalha muito. Com o elefante, a cadeirinha soh permite sentar de lado e ainda com as pernas sem apoio...
O templo sagrado, a habitacao em si e cada detalhe rigosamente pensado e instalado fascina. O trabalho de cantaria em marmore eh minucioso. Gravacoes na pedra, espelhos, esmaltes. Repuxo na execucao das portas e ferrolhos.
E imagino de onde vem a tradicao que ao casar a mulher se afasta da sua familia. O Marajah morou lah com suas doze mulheres, mais as concumbinas. Jah pensou ele administrar tudo isso de sogra!?
Jaipur, India
segunda-feira, novembro 02, 2009 | Marcadores: elefante, India, Jaipur, Karina Achoa, maraja | 0 Comments
Ayurveda
Lua cheia em Jaipur! A unica pergunta que um amigo, sabendo como sou - fez ao saber que viria a India, foi: "Já marcou a massagem?!" A primeira viagem de "Tuc-tuc" a gente nunca esquece! Estar dentro de um na rua é uma experiencia extrasensorial, principalmente quando o motorista do seu "Tuc-tuc" passa a maior parte do tempo virado para trás, afim de ver sua cara de apavorada. Batidinhas em outros carros: normal. Até que acontecem poucas. E eles só param se a avaria impedir os veiculos envolvidos de seguir seu curso. Qual a saida então... seguir o conselho: massagem Ayurveda por duas horas e quarenta (leu direito sim, duas horas e quarenta). Numa sala com musica, aromas e óleo quente! Em todos os fios do cabelo até todas as cuticulas dos dedos do pé! Agora: Tchai, sopa e cama!
Jaipur, India
domingo, novembro 01, 2009 | Marcadores: Ayurveda, Jaipur, Karina Achoa, Massagem, Tuc-tuc | 0 Comments
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