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No meio do caminho

Depois de decidir-me entre o dilema de voltar ao Brasil em seguida a participar de uma Feira de negócios em Santiago do Chile ou permanecer por lá mais um tempo, a convite de uma empresária, fiquei com a segunda opção. Mais um tempo naquele país tão lindo e agradável seria ótimo.

De carro e após passar a semana com muitas atividades, viajava para conhecer os arredores da Capital. Aprendi a prender correntes nos pneus para subir as montanhas enquanto nevava. Fui a pequenos pueblos em busca de inusitados museus, restaurantes singulares e qualquer outra aventura que me permitissem conhecer um pouco mais do Chile, sem ir tão longe.
Numa certa sexta feira decidi-me a ir a Viña del Mar e Valparaiso, afinal tais cidades são muito famosas e deviam ter lá seus encantos. Queria voltar ao Brasil trazendo na bagagem também esta lembrança.

Destemida como sempre – até eu que dê de cara com o perigo – viajava admirando a paisagem, tranquilamente. Estrada boa, dia ensolarado apesar do frio. Freei de repente! A entrada de um túnel! Cá entre nós: não sou tatu! Só ando de metro como última opção. E acho inadmissível eu ser obrigada a atravessar um túnel. Deveria haver sempre o plano B.

Neste caso não havia. Eu estava só. Estrada vazia: Ruta 68; túnel Lo Prado.

Se eu fosse católica teria feito o sinal da cruz e seguido adiante. Como não sou, respirei fundo e considerei o que valia mais a pena. Pensei algumas centenas de metros e chego à outra extremidade. Como a estrada fazia uma leve curva, tornava-se impossível ver seu fim.

Lá fui eu.
Suando frio, andei, andei, andei, andei, andei e nada de chegar o fim do túnel. Comecei a considerar voltar. Como sabia ser loucura continuei. Mais de 3.000 metros. Longos 3.000 metros. Quando avistei a saída, comemorei! Logo junto ao final do túnel, um posto policial. Ainda trêmula estacionei e fui consultar o policial de plantão sobre alternativa de estrada – sem túnel – para eu retornar a Santiago dias depois. Ele confirmou o que eu temia: não havia! Expliquei minha preocupação. Ele gentilmente perguntou quando eu pretendia voltar e diante da minha resposta disse que deixaria informado no posto que um policial pudesse me acompanhar na volta. Agradeci e segui viagem.

Valparaíso e Viña Del Mar são deliciosos balneários. O povo simpático, a comida e o vinho estupendos.

Considerei arrumar um novo emprego ficar morando por lá à ter que enfrentar aquele túnel novamente.



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